Águeda Drummond Lima, a dona Dadá, morre aos 107 anos

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Mauro Moura

Faleceu no domingo (11), aos 107 anos, a mais antiga moradora do bairro Penha, em Itabira: Águeda Drummond Lima, a dona Dadá, viúva do promotor doutor Nelson Lima de Guimarães, com quem teve cinco filhos: Marco Aurélio (in memoriam), Miriam, Marília (Marilú), Márcio e Maurício Drummond Lima.

Dona Dadá é de tradicional família. Filha de Francisco de Assis Freitas Drummond, conhecido por coronel Tico, negociante e fazendeiro. E de Senhorinha Martins da Costa Andrade, neta materna de Carlos Casemiro da Cunha Andrade e de Ana Joaquina de Andrade Cruz.

Artista plástica e professora aposentada, lecionou na fazenda da Florença, em Santa Maria de Itabira, que pertencia aos seus avós maternos.

Muita lúcida, ela sempre tinha boas histórias da família e de Itabira para contar. Em maio de 2017 eu a entrevistei para reportagem deste site Vila de Utopia sobre a fábrica de Tecidos da Pedreira. Leia aqui.

Com orgulho ela discorreu sobre a sua tia-avó Maria Casemira Andrade Lage (1828/1929), primeira mulher empreendedora itabirana, dona da fábrica de Tecidos da Pedreira, inaugurada em 1888 e que funcionou até a década de 1950.

A fábrica da Pedreira teve, no seu início, participação de Carlos Casimiro da Cunha Andrade como sócio, avô materno de D. Dadá. Na ocasião da entrevista, ainda lúcida e com boa memória aos 103 anos, dona Dadá nos recebeu com muito agrado para falar da tia-avó empreendedora, que ela a tratava carinhosamente por tia Nicota.

“Quando eu a conheci, ela já era velhinha, mas ainda muito altiva”, revelou a sobrinha neta. “Ela morava na própria fábrica e vinha a Itabira de liteira, transportada pelos escravos. Depois eles foram libertos e continuaram trabalhando na fábrica com a tia Nicota”, contou dona Dadá.

No seu auge, a fábrica de tecidos da Pedreira chegou a gerar mais de 100 empregos, com predominância de mão de obra feminina. “Tia Nicota era uma mulher de fibra, como poucas que encontramos hoje em dia”, comparou dona Dadá, outra mulher itabirana também de fibra, elegante e altiva, que decidiu ser eterna, sepultada nesta segunda-feira no cemitério do Cruzeiro.

No destaque, Mauro Moura entrevista dona Dadá, em maio de 2017, para o site Vila de Utopia (Foto: Carlos Cruz)

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