A um passo do golpe, Bolsonaro conspira contra a democracia no país

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Rafael Jasovich*

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está usando seu número pessoal de Whatsapp para convocar seguidores para o ato do próximo dia 15 de março contra o Congresso Nacional. A manifestação possui forte teor golpista, já que alguns panfletos têm evocado o AI-5 e pedem a saída dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre.

O vídeo, compartilhado pela jornalista Vera Magalhães, traz imagens da facada sofrida por Bolsonaro em 2018, durante ato em Juiz de Fora. Diz que o presidente “quase morreu” para salvar o país. Dessa forma, o vídeo pede que as pessoas saiam às ruas no dia 15 de março para defender o presidente, assim como pressionar o Congresso.

No texto que envia junto com o vídeo, Bolsonaro escreve: “15 de março, Gen Heleno/Cap. Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”. O vídeo usa ainda o Hino Nacional tocado no saxofone como trilha sonora.

“Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas. Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, diz o texto do vídeo, que é intercalado por imagens de Bolsonaro sendo esfaqueado, no hospital e depois em aparições públicas.

Apoiadores pedem a volta do AI-5 e são incentivados pelo presidente

As primeiras convocações para o ato vieram de grupos como o Movimento Brasil Conservador e Movimento Conservador, ambos ligados ao clã Bolsonaro, logo depois que o ministro Augusto Heleno Augusto Heleno desabafou sobre supostas “chantagens” do Congresso Nacional contra o governo.

Desde então, passaram a circular nas redes sociais panfletos do ato pedindo o fechamento do Congresso e a instauração de um novo AI-5 para “faxina geral” no legislativo.

Outro panfleto, assinado por “movimentos patriotas e conservadores”, também traz fotos do general Heleno, do vice-presidente, Hamilton Mourão, e de outros generais com cargos públicos convocando para ato. No texto, há a frase “os generais aguardam as ordens do povo” e, em seguida, “Fora Maia e Alcolumbre”. Nem Heleno nem Mourão repudiaram o uso de suas imagens no panfleto.

Reações

A participação de Bolsonaro na convocação para o ato preocupou parlamentares, governadores e demais personalidades públicas ligadas à política. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), escreveu no Twitter que a situação é “extremamente grave”.

“Extremamente grave que altas autoridades civis e militares estejam apoiando atos políticos contra os Poderes Legislativo e Judiciário. Os defeitos destes tem que ser enfrentados de acordo com as leis, não com coação. Lembrando que tal coação constitui crime de responsabilidade”, escreveu.

Outras autoridades, do STF, da OAB, os ex-presidentes FHC e Lula, também repudiaram a convocação de Bolsonaro.

Não precisamos ser muito inteligentes para sentir o forte cheiro da preparação de mais um golpe, este talvez o que venha a instaurar uma ditadura declarada, sem congresso e sem judiciário.

O chamado à faxina-geral lembra muito bem o ano fatídico de 1964. Outras frases como (os militares esperam a voz do povo) também é sintomática e nos remete aos anos de chumbo.

Só a sociedade civil organizada e o povo na rua defendendo a democracia e as liberdades públicas podem para parar o desastre já anunciado.

DITADURA NUNCA MAIS!

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

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