A morte das democracias liberais no século 21

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Rafael Jasovich*

Se no século 20 as democracias morriam por um golpe totalitário, com diretos a tanques de guerra e eleições restritas, no século 21 as democracias morrem em suas próprias práticas.

Ilustração: Duke/O Tempo

Eleitos, presidente autocrata e autoritário promove o aparelhamento ideológico do Estado, quando os próprios servidores passam a tomar decisões e medidas policiais, conduzindo investigações baseadas em convicções pessoais e preceitos políticos.

O Brasil, encalacrado numa fase intermediária entre democracia e estado policial, já conta com uma lista de intervenções do presidente Bolsonaro, cujos objetivos puramente ideológicos já causam destroços no tecido republicano. Veja a lista abaixo:

  • Substituição de superintendentes da Polícia Federal.
  • Proibição de propaganda do Banco do Brasil, com promoção da diversidade que gerou a demissão do diretor de marketing da estatal.
  • No Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ocorreram diversas intervenções para a liberação de práticas ambientais deploráveis. Uma delas é a liberação da pesca na reserva dos Tamoios, na Costa Verde, no Rio de Janeiro.
  • Demissão do presidente do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por discordar dos dados divulgados pela instituição, sobre o crescimento absurdo do desmatamento.
  • Aparelhamento ideológico do Ancine (Agência Nacional do Cinema), proibindo a aprovação de filmes antagônicos ao pensamento do bolsonarismo.
  • Após interferência de Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, teve de revogar a nomeação da especialista em segurança pública Ilona Szabó de Carvalho como suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.
  • Na última quinta-feira (15), o presidente suspendeu o uso de radares móveis em rodovias federais, medida criticada por especialistas em segurança no trânsito. Em junho, ele também apresentou projeto de lei aumentando de 20 para 40 pontos o limite para suspensão do condutor.

As queimadas na Amazônia são clara demonstração do projeto político antiliberal que os novos modelos de governo populista estão implantando no mundo.

Quem não se sensibiliza com o desastre ecológico da floresta não tem um mínimo de cérebro pensante que lhe permita entender que os recursos naturais do planeta são finitos e que deixaremos para as gerações vindouras um habitat de terra arrasada.

Tristeza e desolação.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

  • No destaque, ilustração de Vilmar Rossi

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