A Morna, B.Léza, “Público” e jacobinos narcisistas

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Veladimir Romano*

Em outras ocasiões da escrita, como múltiplas vezes tenho referenciado, já lá vão vinte anos, a forma explicita do concentracionismo da vida social, cultural, política, econômica e até burocrática da política caboverdiana, tem construído opções suicidas que nem todos compreenderam, outros não entendem como mais alguns não querem saber.

Muito mal se têm processadas essas opções, tanto pela força partidária como por respetivos governos mal conduzindo o equilíbrio de forças, energia e autenticidade do nosso processo democrático. Não admira hoje, pois, colocados neste caminho pela independência a chegar ao meio-século, que vá grassando algum descontento, desorganização social e aproveitamento dos nossos bens por alguns monopolistas vergados à vaidade e falência pessoal, preferem optar à vaidade.

Preferem aplicar uma descarada xenofobia cultural alinhando nas coisas de manifesto fácil, mas sem afeto, antes pelo jeito onde se consigam instalar fantasias, e assim fazer crescer o benefício particular da elite, adulterando essa mesma informação.

Foi o que passou com a ideia feliz do jornal “Público” [sim, a ideia é realmente feliz], mas submetido num tremendo travesti cultural o vergonhoso trabalho efetuado pelo mentor escolhido: Manuel Brito Semedo.

Se há gente em Cabo Verde capaz, credível, com provas dadas, em absoluto intelectuais dedicados numa vida repleta de pesquisa; serão pessoas como professor Moacyr Rodrigues, o maestro Vasco Martins ou até o investigador António Germano Lima [sejamos sérios, não haverá muito mais].

Lamentavelmente, nunca poderia ser Manuel Brito Semedo, perdido na sua enorme grandeza egocêntrica, contra o poder, quando este não lhe alimenta os caprichos, habituado que ficou a ser servido pela submissão partidária… e muito mal ficou o jornal “Público” quando aplicou na sua própria fuga pela verdade, aquilo que tão lestamente aponta aos outros na falta de ética, direito à opinião, esclarecer o que saiu mal.

Preferiu esse matutino diário, em outros tempos jornal de qualidade e responsável, agora porém, perdido de medo das represálias que possam vir de Cabo Verde. E assim fazendo, prefere ocultar esclarecimentos, esconder realidades do lado errado deste trabalho feito nos folhetos da coletânea dedicada à “Morna”. Uma salada russa regada a confusões, omissões e adulteração de factos.

A nossa bonita Morna não o merece, nem os bravos inspirados compositores, criadores da valorização civilizacional da sociedade caboverdiana, ao ter na irresponsabilidade de um certo cidadão das ilhas crioulas a provocação intelectual ramificando mentiras, omitindo grandes compositores que deixaram obra feita, adulterando informações, outras inventando tendo em conta por arrasto apontamentos convertidos à mediocridade, falta dalgum bom senso.

É daí que vem sem vergonhice que hoje impera pelo arquipélago onde também a imprensa deixa a desejar cobrindo o lado mais errado da informação. Não estranhemos, pois ,a ousadia do presidente norte-americano ao manifestar no tal propagado “fake news” do qual é rei e senhor, não se deixando perder pelo que sabe de quantos gostam de segui-lo embora o critiquem, sendo assim duas vezes falsários da informação.

Igualmente razão tem o presidente brasileiro quando afirma estar o jornalista a ser numa “espécie em extinção”. Tem lógica, sim, embora não gostemos de ouvir.

B.Léza, como valor cultural, figura social [sempre viveu para o seu povo], com seu figurino histórico, não precisa e se fosse vivo não aceitava gente como Manuel Brito Semedo nem para limpar o curral do concelho. Leia mais aqui.

Pois ali realizou B.Léza inesquecíveis, históricos e grandes campeonatos de boxe. Escolhia as pessoas e dizia serem elas «muito especiais… não é qualquer um que sabe limpar o chão do curral».

Se perguntarmos ao especialista Manuel Brito Semedo e à sua companheira brasileira de apontamentos difamatórios qual é a quantidade de composições do autor do Lombo, qual é a história de B. Léza, certamente teremos nova conferência dos jacobinos em carga bruta na busca do central narcisismo dos quais sentimentos perdidos alcançados uma vez por danoso Cirpiano, ao inferno lançou ele nas mentes de tão pobre espiritualidade, mentores prontos, vendidos e capazes de perverter acontecimentos de valor sem preço numa velada patifaria de mentiras que somente servirão para estragar, não para valorizar. Vejamos:

1º _Uma vergonhosa referência a dois grandes compositores, mas onde não se explica absolutamente nada. Antôn Tchitche e Luís Rendall, contemporâneos de Eugénio Tavares; personagens com quais B.Léza também vive, aprende e até esclarece nos seus apontamentos inéditos a grandeza destas pessoas.

B.Léza na sua vida viria inclusivamente a compor melodias para líricas de morna e assim nascendo parcerias entre estas duas figuras de enorme valor mas nas mãos de M.B.S., apenas algumas secas linhas sem história.

2ª _Nunca B.Léza conheceu aquela que viria a ser sua companheira inspiradora de muitas mais mornas em algum qualquer hospital. Oficial maquinista que o pai de Maria Luiza foi nos transportes marítimos, muitos foram os africanos das colônias que Agostinho Miguel ajudou a embarcar na frota marítima, tal como aos crioulos ajudou até um dia o cozinheiro de nome “Faia”, ser também tocador de violão e assim referenciar nas suas cantorias elas serem dum tal “B.Léza”, compositor da sua ilha natal de S.V.

Portanto, já o futuro sogro mal sabendo um dia, foi então na deslocação de B.Léza e vários grupos folclóricos levados para Lisboa na primavera de 1940 para dar início à primeira grande exposição colonial. Outra já havia acontecido no Porto em 1936 onde esteve Luís Rendall, embora B.Léza, dessa vez, tivesse organizado a sua viagem aos E.U.A.; daí não haver tempo para ser incluído.

É numa festa organizada pelo grupo folclórico representante da colônia de C.V., onde toda a família de Agostinho Miguel está presente que B.Léza trava conhecimento com Maria Luiza. Esta nunca foi algum dia “enfermeira”, como acusa M.B.S. A “enfermeira” é a irmã do meio: Alexandrina que acompanha B.Léza nos diversos internamentos aonde B.Léza vai.

3º _Nunca B.Léza roubou [antes foi e tem sido roubado tanto na sua vida como na sua obra], praticou desfalque ou ainda menos ter pertencido a “Clube” algum a quando da sua permanência no Fogo. Absoluta ausência de responsabilidade desta tendência sensacionalista certamente aprendida com quem no ano 2002, não sabia da existência de C.V. no mapa e muito menos na História de Portugal.

Mas rapidamente aprendeu a enganar a cabeça do crioulo tratando este como ser do quinto mundo subdesenvolvido. Foi assim que não sobrou inteligência ao infeliz do velho camarada Manuel Delgado, feito cicerone e carregando Gláusia Nogueira para as ilhas.

Pegou-se a infecção; esta, ao não possuir mercadoria intelectual suficiente para compor trabalho decente sobre B.Léza, recorreu como boa mestrina da intriga, a sensação por que fica bem, os leitores gostam de escândalos e em C.V., não estará ninguém para defender a submissão defunta do acusado.

Ao não saber escrever sobre valores brasileiros e como eles são tantos, mas dá para se agarrar ao arquipélago caboverdiano pela abundante mediocridade intelectual ali consumida. Com isso, melhor ganhar a vida difamando o B.Léza e seus companheiros porque quando conhecimentos culturais não chegam para ocupar o currículo, irresponsavelmente escreve-se, seja a melhor opção pelo tanto que precisam do dinheiro sujo para sobreviver.

Não existe moral, ética, não serão precisos documentos nem investigação pelo quanto, para esta gente, Cabo Verde é lixo do quinto mundo e a brasileira sabe disso. Por isso fugiu do Brasil pelo quanto ali a Polícia Federal e tribunais locais são eficazes e não aceitam folgados.

4º _Fazer Jornalismo implica ter coragem, procurar defender a verdade, fazer pedagogia, esclarecer e saber passar a mensagem. Assim aprendi durante a vigência do Estado Novo levando à Censura provas originais escritos por Alçada Baptista, João Bernard da Costa, José Augusto França, José Cardoso Pires, Helena Vaz da Silva; com quem tive o privilégio de trabalhar nas revistas de “O Tempo e o Modo” e a “Concilium”.

Conheci as redações do “Diário de Lisboa”, “Diário Popular”, de “O Século”, “República”, “A Bola”, “Mundo Desportivo” e a lição que permanece de gratidão a estes autênticos heróis, absolutos jornalistas, ao contrário do presente quando o “Público”, limpa a verdade para firmar omissões e desgarradas mentiras até à difamação.

Manuel Carvalho precisa voltar aos bancos da escola e reaprender que em Portugal deu-se uma coisa chamada 25 de Abril quando a ditadura fascista acabou e a liberdade começou. Não se faz censura nem se protegem crápulas jacobinos em pleno século vigente.

5º _O estafado e mal cheiroso narcisismo de certos seres humanos deveria receber tratamento terapêutico,. Estamos em pleno século XXI e, desde o século das “Luzes”, hoje, com desenvolvimento tecnológico avançado, a memória, inteligência e recato moral, faz com que os mesmos seres humanos se habituem a procurar informação mesmo quando ela não aparece na máquina tecnológica, por que em realidade nem tudo anda e está nas redes sociais, nem no arquivo da Wikipedia; apenas alguns itens.

Ora, B.Léza e outros do seu tempo, ainda têm família… não são nem nunca foram indigentes como certos jacobinos têm esse desejo de fazer. Das obras devidamente registradas, elas ganharam o seu direito de autor. É preciso não mentir, adulterar, desinformar ou até furtar a paternidade daquilo que pertence ao próprio autor. É preciso absoluta liberdade sem equívocos para se escrever, informar e até entregar a pedagogia necessária, mas assumindo essa responsabilidade.

Muito mais atenção merecem estes textos mal editados pelo “Público”, escritos na irresponsabilidade de Manuel Brito Semedo quando confunde valores da cultura de Cabo Verde no trauma turbulento da sua personalidade descontrolada fazendo um péssimo serviço à cultura da sua terra, aos valores humanos e até espirituais.

Cabo Verde não precisa de apontamentos deste gênero onde aparece, nem se disfarça a maldita xenofobia que se instalou no arquipélago e cada cada vez mais perigosamente se quer impor.

O Povo das ilhas crioulas do Cabo Verde não deve deixar este venenoso enredo ocupar a nossa sociedade porque vamos todos perder e com isso a riqueza da nossa cultura.

Na foto em destaque, Maria Luiza junto a B.Léza, acompanhados pelos dois cachorros: Bobby e Rodny. Um casal feliz, mas invejado por alguns, vítima sim da ignorância e ruindade alheia (Álbum de família)    

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Há de se contar essa história sempre mais e melhor a respeito da Morna e seus compositores, pois em Cabo Verde nomearam uma brasileira como a grande conhecedora da obra do Mestre B.Léza.
    Coisa mesmo de criolo doido desembestado morro abaixo.

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