A “mão invisível” do mercado controla o Estado Mínimo e o sistema capitalista

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Veladimir Romano*

A natureza do sistema ao qual nossas vidas depende, imaginando nós quantas vulnerabilidades se foram construídas durante gerações, caindo processos vitais decorrentes do mesmo sistema dominando modos economicistas, males sociais se fundiram com algum bem-estar material. A influência produtiva criou o monstro e a intromissão inicial deu maneiras explicitamente imaginativas, desenvolvendo uma espécie de mãos invisíveis vinculadas a tudo quanto seja comando.

Depois de muitas voltas, no tempo presente, vamos assistindo a mudanças na relação entre economia e política; sentir, na maioria das ocasiões, absurdos acumulando até certo ponto podendo analisar onde consegue chegar ao nível irracional desta história que não sendo somente contemporânea, se repetiu no passado em crises dominantes causando fome, miséria, desemprego e desconfiança pelas ordens do sistema. Enterraram populações no túmulo com revoltas tomando conta da vida.

Explicita liberdade e nunca houve tanta desregulação e libertinagem do mercado. As consequências ameaçadoras para quantos dependem do salário retirado do compromisso laboral como nas crises mais recentes. Caindo essa consideração inicial das soberanias do Estado para proteger a economia, adiante, se fizeram entrar forças globais do reino privado dominando no fim, de maneira predadora quantidades incontroladas de fundos públicos salvando empresários, bancos privados, até multinacionais quase na falência.

É deste jeito ameaçador, dominante que rapidamente nas crises acumuladas, elas se desdobraram de tempo em tempo, quando se foram sucedendo. Buscando memórias, simplesmente da “mão invisível” que Adam Smith [A.S. 1723-1790], criador do pensamento capitalista, deixou escrito na sua obra assinalando “Conflitos Laborais”: quase ele previa males desse mesmo modelo financeiro nos dias vindouros. Ninguém pode em abono da verdade, levar a sério o dito “Sociedade da Liberdade Perfeita” [esta frase significa doutrina capitalista do pleno emprego], idealizada nas teorias do filósofo escocês, coisa que nunca aconteceu no passado ou durante e, veremos o que o futuro reserva.

É o mesmo Adam Smith [observado em outras oportunidades], crente na imparcialidade do mundo economista, que mais tarde reclama daqueles procuradores mandantes do mercado, os mesmos que ele apelida de “funcionários intrometidos”, procurando retirar favores e bens em benefício próprio; como ele viu na distância dos anos o descarrilamento processado do poderoso incentivo materialista encaminhado pelo capitalismo. Na ideia teórica do economista, processo capitalista seria panaceia para todos os males humanos.

O dado defeituoso virou moda como se ordem financeira dentro da captação pública, tivessem mais direitos os privados, sobrando menos para a sociedade. Para A. S., essa tendência, de nenhuma maneira funcionais e, quando teve de salientar no seu estudo a necessidade de erigir ou manter, criar infraestruturas, ele voltava aos três elementos criados pela sua própria teoria ou configuração explicita obedecendo ao processo capitalista.

No trabalho de grande profundidade escrito em The Wealth of Nations [A Riqueza das Nações], afirma o prolífero pensador que problemas cruciais como óbvios serão os deveres assumidos pelo sistema. Assim, descrevendo princípios, chama ele pelo Estado, sendo esta uma «presença estimulante, obrigatória», de interesse, baseando nesse pensamento, descrevendo precisos desempenhos adequados numa possível autoridade. Três deveres jamais discutíveis:

A > O dever de proteger a sociedade

B > O dever de incentivar o desenvolvimento

C > O dever de oferecer à sociedade instituições públicas

Três deveres simples mas cruciais ao progresso e segurança da comunidade, não unicamente  teórico. Contudo, ainda afirma que homens violando a justiça ou procurando interesses de sua própria maneira sem respeitar princípios estabelecidos pelo Estado, deveriam ser logo expostos e limitados nas suas ações.

Do reino da imparcialidade ou não, outro pensador: Allan Meltzer [A.M. 1928-2017], considerado conservador, conseguiu ser contraditório em alturas devidas contra intromissões do Estado na política econômica. Certa vez, porém, afirma como aumentar na despesa pública consiga esta ser mais eficaz e boa oportunidade contra a vida perdulária desregulada «por afunilamentos congestionados do capital» ou na troca de parceiros programando redução das despesas quando o aparelho estatal permitindo subvencionar a procura de bens ou serviços «corrige a própria política contra desperdícios, exageros ou más condutas administrativas».

Verdadeiramente, o mercado capitalista não gosta e acusa uma “mão invisível” que sendo funcional em favor ao coletivo, prefere manter tudo na outra posse, essa sim, poderosa “mão invisível”, mais invisível perante a primeira, pela revelação sinistra das suas conveniências múltiplas, individualistas, produzindo recompensas a uma minoria dominante, interferindo esses defeitos colateralmente depois nas nossas vidas. Interessante conhecer divergências entre origens e solução, o lucro calculando o super-lucro.

Na organização atual dos mercados, para evocarmos certas realidades de outrora sobre a lógica, se nota afetação nos propósitos embutidos à lei da força de um calculado “desperdício” das energias não identificadas ou reconhecida na “falência”, efeito da dita “economia da liberdade”. Quando acontece, chamar-se-à na moda capitalista: “Reinventar o Mercado”. Identificar metas onde imperfeições pretensas não correspondam em lógicas; aqui, alguns economistas formados em universidades preparadas para efeitos ao serviço dessa “mão invisível”, estudam duas normas muito precisas, intencionalmente apontadas, uma: em desgastar economias públicas; outra: como deter crescimento às influências do Estado, mitigando a sociologia humana.

Estão bem na memória e marcadas na vida dos povos, o dia a dia dos efeitos funestos do sistema agregado globalmente definido, mecanizado pelas incoerências ao longo de sucessivas décadas embora batizadas como “demandas” [esquemas]muito bem calculadas na lógica-matemática; complexidade somente entendida por especialistas quando conteúdos revelam pormenores e aspetos de teorias preferenciais do princípio “ordinal” ao “cardinal”, números expressivos que recebemos, finalmente compreendemos haver outra “mão invisível”… o proveito corporativista de uma classe rendida igualmente ao seu pedacinho de poder.

No entanto, comodamente incertos, presos na sua dispendiosa autonomia, ganhando reforço numa boa parte dessa servidão calculista, faz séculos, segurança, justiça, ou proteção, deixou de ser monopólio dos barões feudais porquanto a evolução humana se revelou também ela revolucionária e reformista até ao seguimento do aprendizado progressista. No esclarecedor e esplêndido trabalho escrito pelo sociólogo e economista: Joseph Schumpeter [J.S. 1883-1950], titulado “Capitalismo, Socialismo e Democracia”; acredita ele em 1942, um dia virá o fim do Capitalismo e adianta: «O Capitalismo cria uma estrutura mental racional que, após destruir a autoridade moral de tantas instituições, no final se volta contra si mesmo».

Ora, quando o capital humano foge ao funcionamento e tentativas legítimas dentro de conceitos onde definição sigam igualmente normas entre formulações defeituosas [equivalente da fraqueza], permitirá esse defeito moldar formas diferentes perante comportamentos e fatores reintroduzidos a modelos designados como remontado esforço de uns quantos parceiros inimigos do investimento público, audaciosamente explorando da “mão invisível” numa abordagem teórica logo depois equivalente a bem conhecidos “governos sombra” contribuindo sucessivamente para domínios não de uma, mas das múltiplas economias ao longo de várias gerações. É a economia subversiva servida no prato da mordomia.

Confundir manufaturas, proficiência, causar danos, concluir concentrações escandalosas de capital financeiro em fugas descaradas ou provocando regressos econométricos da contribuição ao esforço social, por outras palavras: sugerem culpados sim, conseguindo fugir ao saneamento natural da ação política; sobram taxas para a sociedade entre outros prejuízos coletivos.

Mais: submeter capital público a constantes pressões, será punição favorecida pelo sistema do “capitalismo à distância”… extensão resolvida, produzindo problemas ao esforço social na continuidade direta em obediência contra qualquer socialização e, em última análise, coleta silenciosa da luta contra o Estado. Portanto, rotina resolvida dessa conspiração motivada na cultura dos arranjos políticos juntando-se ao proveito financeiro. Aqui, o Estado, retirando valores do apoio social, pura e simplesmente não deveria em momento algum libertar apoios colmatando buracos desorganizados pelas loucuras e fanatismos do próprio capitalismo.

Desconhecendo freios, acumulando esses grupos comandantes fortunas abissais, conduzem o mundo à fome, preparam conflitos, desconcerto ambiental e eliminação ecológica. É o capital e a sua revelação sádica, perdidamente desumana. O lado mais perverso de uma certa “mão invisível” enquanto outra, lutando pela estabilidade social, o Estado, procura corrigir fracassos entre dinâmicas sociais. Podemos em outro aparente conflito, entrar em cena depois de contar três gerações; hoje, mais aceso que nunca, referimos ao aquecimento global onde novos imperativos apareceram atrelados a pontos de vista até confissões anunciadas do privado absorvendo segmentos públicos.

A mudança climática é uma mais recente perspectiva dos futuros problemas dramáticos à sociedade. Mais atentos, compreendemos agora de como uma aplicação desenfreada de capital acumulador de mais capital numa ordem viciada, é geradora de efeitos nocivos, deixa marcas difíceis de liquidar e até controlar. Assim, deste modo, turbulentos dias esperam gerações de um amanhã comprometido ou agravado com maior número de doenças, exaustão agrícola, secas permanentes entre consequentes chuvas torrenciais ou mudanças bruscas no sobe e desce das temperaturas. Temos uma Humanidade completamente indefesa, que ninguém tenha dúvidas.

Mudança climática, será sobrecarga castradora de fundos financeiros futuros, de onde forças capitalistas já não poderão mais fugir, evitando dispensas financeiras, jogos de bastidores, oportunismo, entre outras margens especuladoras. Assim o escrito do austro-checo [J.S.] com sua visão adiantada oitenta e dois anos, não é ceticista, é destino com prazo anunciado. Não serão somente sangrentos conflitos internacionais com mortalidade e miséria em quantidades inaceitáveis a marca capitalista; igualmente fortuna incerta do sistema da primeira “mão invisível” aplicada na fome.

Segundo relatórios conjuntos denunciados pela FAO [Fundo Alimentar Mundial da ONU], União Europeia, sobre ligeira descida numa década, mas logo depois de 2009, mais 38 milhões de famintos engrossaram a vergonhosa lista. Subindo novamente a escala: o estudo da State of Food Security and Nutrition [O Estado da Condição, Segurança Nutricional e Alimentar], afirma no seu último estudo um aumento entre 2016/7, de mais 108 milhões e em 2018, já ultrapassou os 120 milhões.

Assim, no mundo, neste momento temos 815 milhões de almas sofrendo impacto da principal “mão invisível”, monopolizando vidas humanas, degradando o clima do planeta somente porque uns quantos humanos feitos deuses com pés de barro, dominam a cena através de fortunas trilionárias aconchegadas nos oásis preparados e legislados pelos políticos alçados ao poder pelas mãos dos eleitores pensando que Democracia é a mais pura das verdades, realização da virtude.

Não admira que a sociedade presente, numa boa percentagem, pratique boicote sistemático nas eleições, com grande percentagem de abstenção, vendo como a Democracia sofre extensiva deformação, incoerência, colapso das instituições, intensa atividade corrupta, questões sociais em aberto que se arrastam e um caos político como tenso no fracasso da economia.

Esta degradação assinada pelo processo capitalista são estreitas barreiras desse princípio economicista caduco, quais consideradas quimeras paliativas que afinal criou civilização de mãos invisíveis lutando umas contra outras pelo domínio social, linhas produtivas, economia. Nem que a “mão invisível” produza a destruição do planeta, uma teimosia negativa, essa questão persiste.

Deste modo, a cobiça não poderá continuar comandando mais a vida política nem conquistar espaço no processo financeiro. Se pergunta do porquê ainda o dólar norte-americano consiga ser moeda obrigatória em transações internacionais e do claro não, nas outras moedas?

Primeiro o Iraque, depois a Líbia, agora a Venezuela; todos sofreram represálias dos EUA quando governos destes países produtores de gás natural e petróleo de qualidade começaram essa transformação, recebendo pagamentos na moeda do euro, iuan, ouro, outros com parte em permutas médicas e alimentares.

Os políticos inventaram a semântica adequada, os militares começaram a destruição, os economistas baralharam a cabeça do povo. E a “mão invisível” começou a arrecadação lucrativa passando por cima dos cadáveres. Até esse instante, a carnificina continua. E a soberba “mão invisível” anda por aí controlando o sistema…

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano, colaborador deste site Vila de Utopia

 

 

 

 

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2 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura em

    Só sei de uma coisa, essa “mão invisível” aqui no Brasil é da maior possível e sempre que pode, nos faz pagar as contas e trafulhagens dos banqueiros e suas quebras porpositais.

  2. Wagner Bomfim Tidemann em

    A “mão invisível” com todo pragmatismo sempre existiu e para os idealistas de plantão, sinto muito por nós, pois ela estará sempre nos acariciando pela frente e nos apunhalado pelas nossas costas!

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