A longa caminhada da grande vergonha

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Veladimir Romano*

Na explosão demográfica nada tem de errado quando são aplicadas políticas coerentes e o comportamento das lideranças é correto, competente e evoluído. O fruto da natureza humana é também elemento chave nas dinâmicas coletivas enquanto símbolo da evolução social. Acontece que quase tem sido riscado do vocabulário a palavra “Futuro”, do jeito que essa meta tem ficado no esquecimento dos políticos e elites da liderança na maioria das nações descendo do México até ao Chile ou Argentina.

Não seria estranho a ninguém e muito menos aos responsáveis norte-americanos, caso na Casa Branca pudessem encontrar exemplos humanistas e verdadeiros ditames democráticos ao invés de lamentações, arremessos intriguistas com enorme churro de acusações falsas, difamatórias sobre populações discriminadas nos seus próprios países.

Quem conhece nações como Honduras, Guatemala, El Salvador ou ainda Panamá, sabe das imensas dificuldades no subsistir em cada dia. Por isso, não será de estranhar tamanho movimento de grossa maré humana movimentando milhares de pessoas fugindo da fome, do crime e da brutalidade diária.

Para trás, a quantos seres destes povos da região central latino-americana, vítimas de políticas erradas, maliciosas e até criminosas preparadas por gente sem moral e de baixa condição humana, muito naturalmente como ato desesperado, tentam tudo procurando soluções dignas.

A fome, desemprego crônico, subdesenvolvimento e má justiça com qual sacrifício são confrontados uma vida, tudo fica refletido numa longa, esforçada como corajosa e determinada caravana de seres esperançados no vizinho rico, recheado de dólares em aparente fartura…

É a longa e vergonhosa derradeira imagem de salvação destes povos afetados pela prática de todas as injustiças que tão bem conhecemos, infelizmente um pouco pelo planeta e América Latina também tanto sofre: ausência total de políticas humanas favorecendo reformas aplicas com transparência e vontade corretamente denunciadas numa prática constante.

Na fronteira da famosa localidade mexicana de Tijuana, chegaram há meses famílias, crianças, mulheres e homens que desde outubro de 2018 tomaram a peito caminhada com tamanhas aspirações legítimas. Contudo, não sabem que as autoridades policiais norte-americanas todos os dias deportam 130 mexicanos, sendo Tijuana uma das localidades mais violentas do México.

Nos obscurece a mente, aperta o coração e revolta o estômago quando sabemos que em oportunidade política, a República mexicana pela primeira vez em mais de vinte anos tem um líder desejando marcar profunda diferença no sentido positivo, bem diferente do seu último, Peña Nieto, que não deixando saudades, ainda favoreceu cartéis da droga ao haver recebido US$ 100 milhões de dólares do narcotraficante “El Chapo”, precisamente sendo julgado nos EUA, acusando este de encher a conta bancária sem fazer nada pelo seu povo.

Compreendemos não ser tarefa fácil ainda que muita vontade haja nas estratégias de Lopez Obrador em disciplinar, reorganizar e combater ilegalidades como endêmica corrupção nas instituições, como em alguns centros policiais; se vê a braços com a chegada infortuna dos migrantes das Honduras, Guatemala e El Salvador.

Vencendo quatro mil quilômetros na distância destes países até aos EUA, outubro superou qualquer surpresa menos agradável, acompanhada que foi o movimento humano pela imprensa mundial, mais ainda pela OIM [Organização Internacional das Migrações], desde São Pedro Sula, nas Honduras, trazendo a maioria da caravana com 5,4 mil num total de 7.233 aventureiros necessitando de garantir subsistência.

É fato que isso em suas nações nunca irão conseguir, graças a todo um mundo criado de terror e desequilíbrios sociais, nas injeções calibradas feitas durante gerações pelos norte-americanos oferecendo vantagens a quantos ditadores sanguinários vão servindo. São interesses sujos das elites interessadas em domínio financeiro, submissão econômica e fidelidade ao acervo que multinacionais foram lançando um pouco por todos os lados do território latino-americano.

São formas de manter a escravatura, tão bem documentadas pelas ONGs e até pelas Nações Unidas, como dados recentes demonstram que pouco ou nada mudou desde a entrada do novo século. São perdas irreparáveis e crueldades desumanas, tudo isso com histórico demasiado verdadeiro e arrepiador do que certas políticas egoístas sem outro qualquer pormenor criativo, tem sido apanágio do capitalismo selvagem.

Ocupam, contaminam, destroem e minam tudo de bom existentes, assim como destroem a riqueza da cultural social e humanizada dos povos, em primeiro lugar , indígenas de todo o continente americano. Logo seguidamente, sendo lugar de exemplar acomodamento migratório, generosamente se foram encaixando outros povos sendo hoje uma riqueza sem igual com exemplos de sucesso em múltiplas áreas enriquecendo mais ainda o mundo.

Com práticas escravocratas no mercado laboral dos territórios latino-americanos, tudo se foi arruinando incluindo o próprio sistema Capitalista, quando coloca valores financeiros na frente dos valores humanos. É assim que nada resta que ruína, discriminação, crime e terrorismo de Estado, tal como vem acontecendo em países com poucos exemplos democráticos, abusando dos Direitos Humanos mas pelo que se conhece pouco incomodando os responsáveis por tudo isso, que são os norte-americanos.

Honduras e Guatemala, por motivos óbvios, derramam sangue dos seus nacionais nas ruas, desesperando seus povos. El Salvador sofre ainda da guerra civil de 12 anos e mais ainda pelos US$ 50 bilhões desviados pelo ditador Napoleão Duarte para o Miami Bank.

O tal milagreiro canto acolhedor de todos os malfeitores fugindo dos seus países ao paraíso norte-americano, deixando suas nações depenadas, comprometidas com crimes ambientais quase impossíveis de recuperação, como o caso das florestas do pequeno território salvadorenho onde companhias norte-americanas puderam fazer em tempos da ditadura de Napoleão Duarte, o quanto quiseram destruindo 50% da riqueza florestal do país.

Deveria ser, pois, obrigação dos EUA reparar danos. Melhor se encontrasse solução humana para tantos problemas organizados, sem esquecer quantos golpes de Estado e apoio a ditadores pudesse apoiar, no presente, o presidente Donald J. Trump.

Diferentemente disso, com quantos dos seus milhões de dólares poderia ajudar nem que fosse cada criança carente ao invés de manter chantagem, diferenciando pais engaiolados em presídios que causa vergonha, incerteza.

Expõe assim a imagem dos norte-americanos em risco e a novas revoltas anti-americanas. Impossível compreender o velho grito internacional: «Yankees, go home!»… até que a vergonha afete alguém buscando na consciência razões naturais e normais para tamanho sacrifício e determinações destes povos em sofrimento.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

 

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