A guerrilha psicológica no Twitter e um planeta chamado Trump

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Veladimir Romano*

A utilização abusiva das redes sociais manifesta o estágio mental da humanidade e de que jeito vão algumas sociedades, reflexo que se testemunha na sua utilização de grupos fanatizados pela conquista do poder aplicando oportunidades tecnológicas.

Definitivamente estão assumidas como arma psicológica, utilizadas para dominar mentalidades fracas, para propagar o ódio, contrapontos da teoria, bloqueando a própria liberdade, até ao ponto de se tornar uma ameaça à harmonia e à paz mundial, tamanha é a confusão mental de quem assim age.

Antes e depois, crescendo agregações da extrema-direita ao descalabro que andam preparando, novos formatos tecnológicos vem oferecendo espaço e, ocasiões propícias, a esses fanáticos.

É assim que pelo adesismo, redes como o Twitter comandam operações muito bem esquematizadas por especialistas. E sucessivamente propagam mentiras para confundir a opinião pública, arrastando os incautos, para confundir e criar situações de baixa-psicológica.

No mundo real, a inteligência fica refém ou submissa aos conceitos brutais dos interesses desses esquemas destrutivos, que atuam de forma a levar à plena decomposição do mais sentido racional.

Analisando restos da eleição presidencial norte-americana, é interessante dar uma olhada no jeito de rastreio em que aconteceu. Ao fazer um balanço, após apuração  final, descobrimos que o candidato Donald J. Trump conseguiu aumentar em 7 milhões a sua votação em relação ao número de votos que obteve na eleição anterior.

Impressionante! É o caso de se pensar, contudo, e aprofundar as razões psicológicas, que tipo tipo ideológico leva o eleitor norte-americano a tomar essa decisão. Uma pessoa que prega conflitos, que investe contra os políticos, como se ele fosse político, mas apenas um magnata pragmático das finanças.

Donald J. Trump nunca se manifestou como idealista do que seja matéria política. Isso mesmo tendo sido, tempos atrás, membro do Partido Democrata. Depois, na busca de maior poder, se juntou ao Partido Republicano.

Foi quando trabalhou sua psicose oportunista, aproveitando-se da tecnologia como arma de arremesso. Famoso pelos piores motivos, nunca, em sua passagem pelo hospital, contaminado pela Covid-19, rendeu tanta literatura e manchetes de jornais, de modo geral bastante negativa. Afinal, ele é um negacionista.

Durante o seu mandato de quatro anos, foram aparecendo escritos a seus respeito, hoje totalizando 293 livros, dos quais 10, ocuparam primeiras vendas em mais de 23 meses.

Dos impactantes, contam trabalhos divulgados pela irmã mais velha: Maryanne Trump Barry e sobrinha: Mary L. Trump. Não esquecendo que o próprio Donald Trump, ilustrando seu ego, também editou sua escrita com cinco livros, contando seus sucessos financeiros.

Depois, passou em badalado programa de alta frequência televisiva. Tudo isso desencadeando na construção dessa imagem de vencedor, até chegar à presidência dos Estados Unidos. Sendo rei-leviano, impôs esquemas aos quais o histórico Partido Republicano se submeteu pacificamente. Cruzou linhas bem adulteradas de quem deseja construir seu próprio planeta.

Usando todo o gênero de truques, curvas e desvios, apoderou-se da Casa Branca. E de lá, utilizando-se da estrutura do Estado, pelo Twitter saiu disparando sua arma preferida com mentiras contra a saúde do povo, criando confusões estratégicas, colocando em dúvida o processo democrático.

Donald Trump tinha dito antes da eleição que desejava permanecer 12 anos na presidência. A isso o eleitorado lhe ofereceu mais votos que na eleição de 2016. Por sorte da humanidade, não ficou.

Para entender os absurdos de sua insanidade, ao procurar explicações, isso nos levaria a compor uma qualquer estranha enciclopédia. Existe sim, estímulo incondicionado, respondendo ou associado, ao tema das redes sociais.

É nesse espaço midiático eletrônico que ele exerce a sua maior influência, no ajustamento desse processo mais emocional do que racionalmente político.

Donald Trump não tem política. Foge da higiene mental, daí, não entender o fim da linha. Faz o cidadão norte-americano que não o segue cegamente sentir vergonha.

Faz birra infantil, ao mesmo tempo que faz jogo perigoso, puxando a corda até ao fim. Ele soube retirar partido do seu “twittar”, utilizando cada minuto para injetar suas diatribes política, as suas insanidades, nos últimos quatro anos.

Portanto, sem surpresa, os 47,4% [pouco mais de 72 milhões de votantes]da recente eleição, andam fazendo mal tanto ao sistema que hoje merece suspeição [76% dos votantes pedem revisão da Constituição e dos programas eleitorais federais], como ao exibicionismo egocêntrico do ex-presidente.

Ao não aceitar a derrota, coloca-se em posição de ser expulso da Casa Branca pelo Pentágono apoiando a Polícia Federal [FBI], juntamente com a Segurança Nacional [NSA].

Trata-se de um caso profundamente bizarro, uma situação inédita no histórico eleitoral norte-americano, dando triste espetáculo ao mundo.

Afinal, nos Estados Unidos da América vêem-se repetir o que é muito comum no mesmo continente, ao Sul, com as chamadas “Republiquetas das Bananas”.

O aporte social para tudo isso acontecer é o rebanho e a coletividade notoriamente contraproducente que vive no planeta chamado Trump. Mas felizmente não cola em outro lugar onde o astro azul tem mais brilho. É assim que a humanidade, aliviada, sorri ao renascer do sol em todas as nossas manhãs.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano.

 

 

 

 

 

 

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Há de se ter um tempo em que poderemos fiar nas informações divulgadas, crónicas, artigos e reportagens.
    Andamos em um tempo não só nebuloso, mas cabuloso por demais!

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