“A conta (da tragédia de Brumadinho) não é nossa.” Com essa palavra de ordem, Metabase dá início à campanha pela PLR 2020

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Conquista dos trabalhadores brasileiros obtida com muita luta sindical e promulgada pela Constituição Federal de 1988, depois regulamentada pela Lei Federal 10.101/2000, anualmente é preciso mobilizar a categoria e fazer pressão sobre a mineradora Vale para que ocorra uma justa Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

É assim que o sindicato Metabase de Itabira dá início, nesta terça-feira (7), às negociações com a mineradora para que se obtenha uma justa remuneração pelo lucro e resultados obtidos, a ser paga como direito constitucional assegurado aos seus empregados.

Será uma longa batalha, prevê André Viana, presidente do sindicato Metabase de Itabira, uma vez que os representantes da Vale já sinalizaram que a empresa pretende reduzir essa participação, enquanto os sindicatos apresentam números robustos e crescentes obtidos nos balancetes financeiros da mineradora.

André Viana antevê a possibilidade de a empresa pretender jogar sobre os seus empregados os custos financeiros referentes às indenizações da tragédia de Brumadinho, que resultou na morte de 270 pessoas, entre trabalhadores (a maioria), moradores e turistas, além de deixar um rastro de destruição ambiental por todo o percurso do rio Paraopeba – um crime que completa um ano de impunidade no próximo dia 25.

André Viana prevê uma luta árdua por uma justa remuneração dos trabalhadores pela PLR. No destaque, trabalhadores aprovam a maior PLR já paga pela mineradora, no ano passado (Fotos: Divulgação)

“A conta deste crime não é do trabalhador, que é também vítima e tem sofrido as consequências dessa irresponsabilidade”, tem repetido seguidamente o dirigente sindical, que é também vereador na Câmara Municipal de Itabira.

Segundo Viana, a mineradora Vale já deu sinais de que pretende repassar parte desta conta aos seus trabalhadores. Em contraponto a essa possível manobra contábil, o sindicalista lembra que somente os complexos Carajás e Itabira não deixaram de produzir milhões de toneladas de minério de ferro, suprimindo as exportações da Vale, que assim honrou os seus contratos internacionais.

Conforme ele defende, a PLR a ser paga este ano deve refletir a participação de cada complexo minerador no lucro acumulado pela empresa no ano passado, mesmo com os dispêndios justos e necessários para se indenizar as famílias e atingidos pela tragédia de Brumadinho.

Para André Viana, o discurso da mineradora de que houve prejuízos com a tragédia de Brumadinho deve ser rechaçado pelos trabalhadores, lembrando que os mineiros de Itabira foram os responsáveis diretos pela lucratividade da empresa no Sistema Sul, uma vez que as minas de Brucutu (Barão de Cocais) e Córrego do Feijão (Brumadinho) pararam de produzir.

Remuneração aos acionistas

De acordo com o sindicalista, a Vale pretende debitar a tragédia de Mariana para o trabalhador pagar e não os acionistas (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

O sindicalista lembra ainda que quando se trata de bem remunerar os acionistas e ficar bem com o mercado financeiro, a Vale não cita a tragédia de Brumadinho para amortizar a crescente distribuição de lucros aos seus sócios.

“A Vale irá remunerar os acionistas em R$ 7,25 bilhões na forma de juros sobre o capital próprio referente a 2019. Isso demonstra bem o tamanho do lucro que obteve com o suor dos trabalhadores”, enfatiza.

Essa remuneração, compara o sindicalista, é absurdamente maior que o valor até aqui gasto para pagar as indenizações das famílias das vítimas da tragédia de Brumadinho, que no ano passado foi de R$ 6,5 bilhões.

Participação mínima

Em março de 2019, os trabalhadores da Vale receberam 6,88 salários como pagamento da PLR, a maior da história da mineradora e uma das maiores remunerações variáveis do país.

“Já para este ano a Vale vem com o discurso de PLR mínima, acenando com o menor valor possível e, pior, até mesmo com a possibilidade de não ter pagamento dessa participação, como ocorreu em 2015. Não podemos aceitar que isso venha repetir”, disse André Viana.

Daí que a palavra de ordem da campanha deste ano pela justa PLR é de que a conta da tragédia de Brumadinho não é dos trabalhadores. “O pagamento justo da PLR é direito dos trabalhadores, que definitivamente não devem essa conta da tragédia de Brumadinho.”

O sindicalista lembra ainda que o preço internacional do minério de ferro está em alta: o pellet-feed de Itabira, com teor de 62% de ferro, fechou o ano em US$ 91, enquanto o minério de Carajás, com percentual maior de ferro, foi vendido a US$ 103.

“A conta do crime de Brumadinho deve ser debitada aos dirigentes e aos acionistas que obtém lucros crescentes na forma de remuneração do capital especulativo”, defende o sindicalista. Isso enquanto os trabalhadores, que criam riqueza, se veem ameaçados de obter uma participação mínima, ou nenhuma, nos lucros e resultados, um direito adquirido com muita luta e assegurado pela lei maior do país, que é a Constituição Federal.

 

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