ANM quer que a Vale abra, desde já, debate com Itabira sobre o descomissionamento de suas minas

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Carlos Cruz

Outra cobrança da Agência Nacional de Mineração (ANM) apresentada à mineradora Vale. juntamente com vários pedidos de esclarecimentos sobre o complexo minerador de Itabira (leia aqui), é para que a empresa apesente “evidências objetivas da construção contínua e participativa, com entidades representativas do município, do plano de fechamento da mina, com encerramento atual previsto para 2029.”

É o que este site Vila de Utopia vem cobrando desde o seu lançamento, em 5 de maio de 2017. Leia editorial aqui.

O descomissionamento de mina é uma exigência legal que Itabira já deveria ter cobrado da mineradora desde a exaustão da mina Cauê, no início deste século, caso tivesse representantes de fato preocupados com o seu presente e futuro.

Mas até hoje isso não aconteceu, nem por iniciativa da empresa e muito menos por cobrança da chamada sociedade civil organizada, como também nada foi até então cobrado pelas lideranças políticas desta cidade minerada. Leia aqui, aqui e aqui.

O processo de descomissionamento das minas deve, objetivamente, tratar das compensações econômicas pelo fim da mineração, assim como da reabilitação paisagística da serra do Esmeril e de todas as minas exauridas.

Além disso, no processo de descomissionamento devem ser discutidas e apresentadas as ações necessárias para o aproveitamento futuro das águas dos aquíferos pelo município.

No início deste século a Vale anunciou, quando fez o rebaixamento dos aquíferos para minerar nas Minas do Meio, que esses seriam o grande legado da mineração para a sustentabilidade do município, suficientes para suprir o consumo humano e também para atrair novas indústrias. Leia aqui e aqui.

Que o descomissionamento das minas de Itabira entre definitivamente na pauta política de Itabira. Isso antes que a derrota se torne incomparável, como já cismou o ex-presidente da Câmara Municipal, e por consequência, como ocorria em sua época, prefeito desta urbe (1869/72), Antonio Alves de Araújo, o Tutu Caramujo, imortalizado no poema “Itabira”, de Carlos Drummond de Andrade.

Tutu Caramujo simboliza, desde então, o ceticismo do itabirano em relação ao desenvolvimento do município, mesmo tendo tamanha riqueza em seu subsolo.

Portanto, essa preocupação já se arrasta desde o início do século passado, mesmo depois de ter sido anunciada, em 1908, no histórico congresso de Estocolmo, capital da Suécia, a existência no pico do Cauê de mais de 1 bilhão de toneladas de pura hematita.

“Os homens olham para o chão. Os ingleses compram a mina. Só, na porta da venda, Tutu Caramujo cisma na derrota incomparável”, escreveu o poeta itabirano, referindo-se às apreensões do profeta da derrota incomparável. (Leia também aqui).

A reversão desse triste, mas realista presságio, depende da capacidade de mobilização e cobrança da sociedade itabirana. Sem isso, o itabirano continuará de braços cruzados vendo a sua riqueza exaurir. E a vida seguirá devagar em Itabira do Mato Dentro, como previu Carlos Drummond de Andrade:

“Tudo aqui é inerte, indestrutível e silencioso. A cidade parece encantada. E de fato o é. Acordará algum dia? Os itabiranos afirmam peremptoriamente que sim. Enquanto isso, cruzam os braços e deixam a vida passar. A vida passa devagar em Itabira do Mato Dentro.”

Leia a crônica Vila de Utopia na íntegra aqui.

 

 

 

 

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