A pandemia letal de 1918

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Veladimir Romano*

Enquanto o mundo chegava ao final do ano 1918 e fechava um avassalador conflito bélico envolvendo seres humanos numa destruição primária, que aniquilou a vida de milhões de pessoas, por outro lado, com o mundo já sofrendo horrores da guerra, chegava de rompante um vírus de origem desconhecida, traiçoeiro, estranho e mortal.

Em vários meses, liquidou quase 50 milhões de habitantes por todo o planeta. Ainda que a vigilância e a estreita relação científica tomasse dianteira, o medo e o choque foi aterrador para a primeira geração do século XX.

Do efeito devastador ficaram lições entre a terrível experiência e o essencial da doença; aliás, bastante semelhante ao vírus “coroa” alimentando a presente pandemia, afetando pulmões, colocando fluidos que provocam resultados altamente destrutivos ao sistema respiratório.

O que inicialmente se parecia com uma simples gripe, aos poucos se transforma em assalto e domínio de agentes estranhos ao nosso sistema imunológico.

Logo se segue a queda do corpo e uns atrás dos outros, órgãos vitais entram em colapso. Atravessa fronteiras a morte assinalada através duma pandemia esticando sua banda larga: a globalização é isso… também causa desconcerto patogênico.

Quando em 1918 a pandemia liquidou um terço da população mundial, essa taxa relacionada com outras do nosso século passado, se manifestou então aquela vinte e cinco vezes mais elevada em relação inclusive à presente Covid-19, malária, gripe aviária [famosa e péssima memória da tecnicamente mais conhecida H5N1, igualmente divulgada como “gripe do Egito”], matando jovens, velhos, crianças e milhões de aves na Indonésia, Oriente Médio, Hong Kong, restante Ásia e a maioria do território norte-africano.

A virulência da então [já na Europa e agora apelidada de “gripe espanhola”], trazida de África por soldados legionários do então território colonial conhecido como “Saara espanhol”, foi a primeira do gênero marcando severamente acontecimentos tristes do século XX. Até aos dias de hoje, foi a mais grave e violenta de todas as pandemias.

Com respostas rápidas e eficazes, contando estratégias inovadoras para uma época ainda buscando caminhos modernos, bons resultados antivirais despertaram a Humanidade para este fenômeno. Mas antes causou muito sofrimento e vidas precocemente perdidas.

Segundo estudos mais atuais, desenvolvidos pelo Laboratório Nacional de Microbiologia do Canadá [NLMC], liderado pelo investigador de origem japonesa Yoshiro Kawaoka, demonstram que futuras estratégias vindas do passado apoiando terapêuticas recente, podem, passar pela desativação ardilosa dos vírus.

Para isso, usam experiências da inteligência artificial de permanência e ordem prática sobre a partilha das investigações de âmbito global, para que assim, dominando os vírus, venha a minimizar a sua eficácia interior.

E assim liquidar núcleos internos do sistema viral como também revitalizar cada sistema imunológico dos pacientes. Essa é uma certeza que hoje se tem, oferecendo à pessoa e ao seu corpo boas respostas perante a ocupação de possíveis ameaças virais.

Hoje já esclarecido tanto do padecer humano como do funcionamento evolutivo do mundo natural, a maior ameaça desse processo natural, incluindo a existência de vírus, coloca a nossa existência em risco sério.

E ocupa no planeta uma alta taxa de risco, elevado nível letal reconhecido através de estudos desde 2007, com novos projetos médicos/microbiológicos tais como o atual “Project EDEN”, por etapas, financiado pela União Europeia, desenvolvendo ferramentas para estudo/pesquisa e métodos, em alerta precoce, subsidiando a defesa da saúde pública.

Na seguinte etapa sairá do continente europeu para outros países sendo uma parte financiada pela Comissão Europeia com meia centena de instituições. Esses estudos procuram compreender o impacto e as relações ambientais com novas doenças ou reemergentes, ficando alertas sobre o efeito climático das temperaturas mais altas no verão.

Trata-se de um problema sério que necessita ser melhor entendido e ainda melhor patrocinado. Com as mudanças climáticas, como temperaturas altas no inverno ocupando agora polos e derretendo camadas de gelo, são outras ameaças que a humanidade enfrenta.

Mas, podemos, enfim, afirmar que finalmente a Ciência ganhou relevância para que próximas conquistas do saber humano se tornem capazes de eliminar de vez desafios como aquele ano terrivelmente mortífero de 1918 que o mundo não deverá esquecer.  Que as lições obtidas com a Ciência se tornem úteis e que a ignorância daqueles que a negam não prevaleça.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano.

No destaque, a gripe espanhola no Brasil: enfermaria do Rio de Janeiro em 1918 (Foto: Wikimedia Commons)

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Como podem ver, não é a primeira pandemia global que passamos.
    Mas na atual, deveriam estudar os fatos da centenária e termos melhores informações e atendimentos da parte do nossos governos municipal, estadual e federal.

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