2019: um ano bastante complicado que se foi pelo ralo…

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Veladimir Romano*

O calendário de 2019 acabou a sua trajetória deste século 21 mais complicado que nunca, violento sem igual, com velhos estratagemas populistas, com ideias destrutivas, com a conhecida manipulação da imprensa mundial.

Algum ritual primitivo acaba por absorver horas privilegiadas na hora das notícias, sem que alguém se incomode com quantos efeitos nefastos que vão se acumulando em espiral psicótica, elevando ao poder das nações gente suspeita e arrogante, monopolizadora de valores que acabam se impondo como verdades absolutas.

O processo democrático, do jeito que conhecemos e partilhamos, tem servido, afinal, de correia transmissora a outras finalidades, fugindo dessa democracia como casa da esperança.

Momentos históricos do passado, quando os povos acreditavam em mudanças saudáveis e progressistas, terminaram em banhos sangrentos arrastando dramas, destruição, traições com perdas irreparáveis.

Mas, foi isso mesmo o ano que passou ao longo dos dezenove anos deste século. Cenas apocalípticas foram se impondo sorrateiramente, ocupando cada minuto de nossas vidas. E, como tal, não faltou destruição, com muita corrupção, aumentando desenfreadamente as desigualdades sociais, com novas descobertas inegáveis de como o sistema ambiental e a natureza já não aguentam a quantidade absurda de lixo.

Ditando comportamentos consumistas, o sistema financeiro de ordem capitalista foi incapaz de resolver suas próprias contradições, impedindo com programas céleres a desejada, obrigatória, até inteligente mudança.

Líderes mundiais se enganando quando julgam capazes de enganar o próprio povo; acabam criando situações embaraçosas, daqui naturalmente nascendo novas ondas violentas reivindicando justiça, verdade, direitos, entre outras exigências quando a frustração atinge auge inegável do pretérito social.

Por todo o planeta ampliam-se as insatisfações, assim como os conflitos, insegurança, crises sempre estabelecidas pela degradação provocada pelos gabinetes do poder, desarticulando a sociedade, criando vazios perigosos para a democracia, enquanto o povo assiste ao cerco de certas ilegalidades colocadas em prática por quem administra. É uma situação que vira saco roto que nenhum povo por certo deveria aceitar.

O ano findo de 2019 resvalou demais com eleições políticas desfiguradas. O que se viu foram fantasias demonstrando que afinal o povo nem sempre é assim tão esclarecido, fazendo escolhas erradas e perigosas até mesmo para o futuro da democracia e da civilização tal como a conhecemos.

A ideologia do capital predomina entre os povos. Vota-se porque alguém comprou a sua consciência social, enquanto julga que apenas o dinheiro resolve todos os assuntos.

E assim deixa de criar oportunidades em sociedades, de organizar a produção laboral e financeira capaz de gerar emprego, acertando a escola e o ensino técnico-profissional, reorganizando a banca e mantendo definitivamente o controle das fugas bilionárias de capitais para os oásis fiscais..

Capitais esses que deveriam ser confiscados para financiar sistemas eficientes de saúde, criar otimismo, segurança e dignidade aos que trabalham e merecem aposentadorias justas.

A mãe-natureza reclama, açoita e se revolta contra a população mundial. Seria bom que todas as atenções se voltassem para preencher as exigências de como proteger bens naturais que deveriam ser propriedade de todos os povos e não de multinacionais ou grupos elitistas. Mas será que seremos capazes de emendar a nossa consciência, deixando de lado nossas práticas suicidas, destrutivas?

O ano que findou foi sim uma loucura. Foram encerrados dezenove anos, deixando de lado a boa esperança pelo novo século, em um ano bastante complicado em todo o mundo.

Contudo, em meio a tanta desgraça, nada como a boa disposição otimista, luminosa de acreditar sempre na vitória possível e que dias melhores virão, por meio de um pensamento que valorize a vontade de lutar contra certos males que sobrepuseram apenas no equivoco de alguns, quando esses se esqueceram que a vida tem mais valores que alguns milhares de dólares alimentando vícios.

A sociedade coletiva e consciente tende em ser mais forte, não obstante tudo o que passou. E a esperança que se renova é de que vitória civilizatória será assegurada enquanto uma nova geração vai nascendo.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

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