A 4ª Arte estará na praça José Máximo Resende, no Campestre, neste sábado, celebrando a diversidade por uma educação libertadora

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Fotos e ilustração: Divulgação

O coletivo 4ª Arte, de extensão universitária da Unifei, campus de Itabira, promove neste sábado (5), na praça José Máximo Resende, no bairro Campestre, o festival 4ª Arte Especial – Por uma Educação Popular e Libertadora, com início previsto para 14h e término às 23h.

É a terceira edição do festival que acontece fora do campus universitário, onde o coletivo de professores, servidores e estudantes promove eventos culturais sempre às quartas-feiras. A primeira edição do festival ocorreu em 2016, na praça do Areão.

O festival tem apoio de diversos coletivos da cidade. Aberto ao público, com eventos gratuitos, a programação inclui oficinas diversas, atrações musicais, feira de artesanato, além de propor um debate sobre os rumos tortuosos, com retrocessos, que têm marcado a política educacional no país.

Por uma educação libertadora

O debate sobre o agravamento da questão social, com o retorno do Brasil ao mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU) estará presente na pauta dos debates que ocorrerão durante o festival, enfatizando o aumento das desigualdades sociais.

Outro tema que não ficará de fora são as queimadas e o desmatamento na Amazônia, assim como outros crimes ambientais de grandes proporções, como os relacionados à mineração que tanto afligem a população de Itabira e de várias cidades mineiras.

Arte com pintura de rosto: educação começa cedo

As questões indígenas e da violência nas grandes cidades, que atinge principalmente a população pobre e negra, também serão debatidos.

Outro tema nacional que não ficará de fora é o aumento abusivo de substâncias tóxicas e cancerígenas na produção de alimentos, que afeta a saúde de toda a população.

“Queremos promover uma profunda reflexão sobre a nossa maneira de viver, de produzir e de entendermos a natureza”, explica o professor João Lucas da Silva, um dos coordenadores do coletivo 4ª Arte.

Segundo ele, não há uma saída mágica para resolver todas essas crises e dificuldades que afetam a população brasileira, mas o professor vê a participação popular como sendo imprescindível para encontrar soluções, além de pressionar o governo para que possam ser coibidos mais abusos e supressão de direitos sociais.

“As soluções para tais problemas são diversos, estruturais e complexos, mas perpassam, necessariamente pela popularização do conhecimento científico, alinhado com o popular e tradicional”, explica.

É nesse contexto que a educação transformadora, como ensina o professor e pedagogo Paulo Freire (1921/97) com a sua pedagogia do oprimido, é a resposta que deve ser enfatizada – daí a escolha do tema para a quarta edição do festival.

“Paulo Freire desenvolveu um conceito de educação para atender às demandas do povo brasileiro por libertação da condição de oprimido, que sofria, e ainda sofre com a superexploração do seu trabalho e de seus recursos naturais”, complementa o educador da Unifei, que critica o modelo econômico excludente, que beneficia uma pequena elite subserviente aos interesses imperialistas de países desenvolvidos.

Arte do movimento no primeiro festival, na praça do Areão

Conforme ele explica, a pedagogia do oprimido é um contraponto à “educação bancária”, aquela em que o estudante é apenas um participante passivo, depositário de um alto saber que só o mestre detém, sem que haja uma interação pedagógica e troca de saberes.

Diferentemente disso, a educação libertadora é aquela que valoriza a troca de conhecimento e de experiências, em que todos são detentores de cultura e tem algo a ensinar. É quando o ato de ensinar se torna também de aprendizado, e vice-versa. “Todo esse processo deve culminar em uma educação libertadora e popular, que leva à transformação social”.

O educando que se torna também educador se transforma em cidadão protagonista da história – e não um agente passivo, como reforça a atual política educacional do governo. É nesse contexto que o coletivo 4ª Arte critica o governo Bolsonaro ao apresentar o projeto Future-se, em julho deste ano.

De acordo com os coordenadores do coletivo, por esse projeto governamental a ênfase é dada como se a universidade fosse um espaço de geração de divisas e uma banca de negócios, assumindo o lugar do conhecimento compartilhado e democrático.

“O objetivo desse projeto é acabar com a autonomia universitária, que passa a ser gerida por entidades privadas, sem a garantia constitucional de ser custeada por recursos da União”, denunciam os coordenadores da 4ª Arte.

Se nada for feito para deter esse projeto excludente, o Future-se pode resultar no fim da universidade pública gratuita e de qualidade, como também na falta de investimentos em projetos de pesquisas, tornando o país ainda mais dependente do conhecimento e tecnologias estrangeiras.

Programação

Equilíbrio e movimento: slackline

Dentre as atrações do festival são destacadas as oficinas de  (esporte de equilíbrio sobre uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos), yoga, pintura, artesanato e confecção de filtro dos sonhos, além de decoração sustentável.

A produção do evento pede aos interessados que levem materiais diversos para a confecção dos filtros dos sonhos, como penas, miçangas e similares. Os demais materiais para as outras oficinas serão doados.

Como brindes, serão confeccionadas estampas com palavras de ordem em defesa da educação popular e democrática. Para obter o brinde, basta que o interessado leve uma camisete clara para aplicar a arte engajada na luta por uma educação libertadora.

Confira as atrações culturais

  • Órfãos do Brás: Trio de ex-alunos da Casa do Brás que misturam músicas mostrando que, analisando essa cadeia hereditária, Ed Sheeran e Rouge não estão tão longe assim.
  • Marvin Darwin: banda alternativa que busca o êxtase da energia positiva em tudo que toca, trazendo em seu repertório variados estilos musicais.
  • A banda 1Verso Paralelo pretende levar ao público um repertório autoral com sons que vão do reggae ao rap. Traz a influência da música brasileira para suas composições, com letras que abordam questões sociais e existenciais, além de melodias chapantes e dançantes.
  • Karen Daynide e o Movimento HipHop Itabirano apresentam um repertório diversificado desde o Rap ao Trap com nossos rappers locais, juntamente com uma apresentações de dança desde o Breaking ao Dubstep. Na performance dos artistas se buscará atrair todos os olhares para um grande espetáculo.
  • A Bateria Calangodum apresentará um repertório popular com uma batida pra lá de contagiante e ritmos que variam do samba reggae ao samba enredo fazendo todo o mundo dançar.
  • A banda BreakFast Funk tem no repertório versões instrumentais de clássicos do jazz e do rock/pop. “Take Five” (Paul Desmond) e “Rolling In The Deep” (Adele) mostram um pouco da influência e da versatilidade da banda. No repertório também estão algumas músicas autorais, como “Cabelo Vermelho” e “Escolhas”.
  • Além das apresentações da DJ Gaia, Fernando Cotonete, Tomate & Bruno.

Coletivos unidos pela educação libertadora e pela cultura popular

Arte e cultura popular estarão presentes no festival 4a Arte na praça José Máximo Resende, bairro Campestre

Além da 4ª Arte, o festival conta com apoio do coletivo El Cantare, uma egrégora, que vem a ser a força gerada pelo conjunto de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas que se reúnem por meio do amor com a missão de emanar luz por onde passam, com promoção de ações sustentáveis e palestras de conscientização geral, priorizando o respeito e o amor incondicional.

Outro apoio vem dos Engenheiros Sem Fronteira – Núcleo Itabira, uma ONG reconhecida mundialmente por realizar projetos de engenharia sem fins lucrativos, para o desenvolvimento local e regional, promovendo melhorias na qualidade de vida das comunidades menos favorecidas.

O coletivo Tô Na Praça O Tô Na Praça #EconomiaSolidária é um grupo de artesãos que se reúne na praça José Máximo Resende, Campestre, mensalmente aos sábados, para expor seus trabalhos. Além do artesanato, o grupo organiza a feira repleta de atrações musicais, alimentação, entretenimento, com a constante preocupação em interagir com todos os públicos.

Outro coletivo participante é a bateria Calangodum, formada por estudantes da Unifei. A bateria busca o desenvolvimento cultural e social por meio da música, considerada uma ferramenta de união entre alunos e comunidade itabirana.

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