Comitê dos Atingidos pela Mineração lança jornal neste sábado em Itabira com manifestações na praça Acrísio

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Com sarau poético e artístico, o Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região lança, neste sábado (28), às 15h, na praça Acrísio Alvarenga, a primeira edição do jornal Rompendo a Lama, uma publicação do Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MoSAM), com apoio do Fundo Socioambiental Casa e do Instituto Guaicuy. O lançamento conta com apoio também do projeto @el.cantare.

Convite para o lançamento do jornal Rompendo a Lama, neste sábado, na praça Acrísio de Alvarenga (Fotos: Carlos Cruz)

A tiragem da publicação é de 20 mil exemplares, com distribuição em todas as cidades mineradas do estado de Minas Gerais. Com oito páginas impressas no formato tabloide, o jornal traz também encarte especial sobre a situação das barragens da Vale em Itabira e Santa Maria de Itabira.

Com a publicação, os ativistas do Comitê esperam ampliar o debate sobre o descomissionamento das barragens, como também fortalecer a luta para fazer valer o direito de remoção de quem queira sair da rota da lama da morte, oficialmente chamada de Zona de Autossalvamento (ZAS).

Em Itabira estão nesta rota mais de 5 mil propriedades urbanas, compreendendo uma população estimada em cerca de 20 mil moradores.

Já em Santa Maria de Itabira, que ainda não passou pelo treinamento simulado de autossalvamento, toda a sua população urbana pode ser impactada no caso de um eventual rompimento da barragem de Santana.

Conforme explicam os ativistas do comitê, o projeto Rompendo a lama tem por objetivo contribuir para a conscientização e a defesa dos direitos das pessoas ameaçadas por barragens de rejeitos da mineração. O comitê tem criado também peças de comunicação virtual, com as quais procura informar, por meio das redes sociais, sobre os fatos que avaliam como graves impactos da mineração em Minas Gerais.

Rompimento de barragem em Brumadinho poluiu o rio Paraopeba com danos ambientais contínuos e permanentes

Na publicação é informada a localização das barragens de rejeitos da Vale e a sua proximidade com comunidades e cursos d’água.

Aborda os direitos socioambientais dos moradores dos territórios impactados, desfaz o que os ativistas chamam de mitos da mineração e das barragens.

O jornal traz também denúncias de violações desses direitos socioambientais e dos impactos causados pela mineração.

A expectativa com o jornal é também contribuir, por meio da informação, para unificar as lutas de cada comunidade, fortalecendo os movimentos de resistência à mineração.

Didático e redigido em linguagem simples, sem tecnicismo, por meio de mapas e infográficos a publicação traz a linha do tempo a partir do rompimento da barragem 1 da mina de Córrego Feijão, em Brumadinho. Denuncia o “terrorismo de barragens e as consequências da lama invisível sobre as pessoas e o ambiente”.

A publicação traz também informações sobre o risco que a mineração causa ao direito à água, assim como discorre sobre a importância da mobilização das comunidades que resistem à ação das mineradoras na defesa de seus territórios.

Encartes

Os encartes regionais abrem espaços para dez regiões impactadas pela mineração: Nova Lima e Itabirito; Barão de Cocais, Santa Bárbara e Rio Piracicaba; Raposos, Sabará, Rio Acima e Caeté; Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim e Alvorada de Minas; Itabira e Santa Maria de Itabira; Congonhas e Belo Vale; Brumadinho, Sarzedo e Ibirité; Norte de Minas e Paracatu; Mariana e Catas Altas; Araxá, Tapira e Patrocínio.

A ambientalista Maria Teresa Corujo

“O principal impacto na vida dos leitores do jornal Rompendo a Lama será adquirir conhecimento sobre uma temática da qual sempre houve uma blindagem ou grave omissão de informações e que agora, com a abertura da ‘caixa preta’ sobre barragens de rejeitos de mineração, se configura como gravíssima ameaça à vida e ao meio ambiente”, explica a ambientalista Maria Teresa Corujo, do Movimento pelas Serras e Águas de Minas – MovSAM.

Maria Teresa Corujo é ex-conselheira do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e foi o único voto contrário à concessão de licença ambiental para a Vale reaproveitar os rejeitos da barragem que rompeu em Brumadinho, provocando o assassinato de 270 trabalhadores, moradores e turistas. O rompimento deixou ainda um rastro de destruição ambiental permanente e continuado na bacia do rio Paraopeba.

Sobre o comitê

Comitê surgiu após o rompimento da barragem em Brumadinho, tendo participado do primeiro ato público em  fevereiro

O Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região foi formado no dia 6 de fevereiro de 2019, após uma manifestação no centro de Itabira em solidariedade às vítimas da barragem da Vale em Brumadinho, uma semana antes. Leia também aqui.

Desde então vem realizando atividades de mobilização comunitária, principalmente nos bairros localizados nas “zonas de alto risco de morte das barragens”, além de ações organizadas para cobrar do poder público o cumprimento do direito dos atingidos.

Os ativistas do comitê avaliam o lançamento do informativo Rompendo a Lama como uma vitória do trabalho de mobilização e luta pela soberania dos territórios e dos recursos naturais.

Para eles a luta está só começando, com a expectativa de mobilizar mais moradores para que unidos possam conquistar e ampliar os seus direitos frente à mineração.

 

 

 

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1 comentário

  1. Cristina Silveira, A Velha Vermelha on

    O Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região, é a única iniciativa itabirana à favor da cidade, do Povo da cidade. E esta constatação me conforta, que pessoas resistam, me conforta.
    Criar um jornal é notícia importantíssima, que o Povo de Itabira leia, participe e se espelhe às essas corajosas (os) itabiranos.
    Como faço para receber a edição histórica? Quero um exemplar!!!!!!!!

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