Fórmula 1 nos tempos em que internet ainda era máquina de guerra fria sob o domínio de USA e URSS

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Marcelo Procopio

—(ou: eu era Senna, agora Hamilton
e nem interessa se é pódio ou não)—

Eu nunca estive aí para competições com máquinas (de quatro ou duas rodas). Se assistia na tv era porque alguém estava. Raro, E sem emoção, torcia para acidentes espetaculares. Não muito mais que isso.

Não via ainda que competições de porte de motos e veículos especiais eram uma maneira da indústria automobilística fazer do piloto cobaia de seus experimentos e inovações tecnológica, cujo objetivo nº 1 era o lucro.
—Como dizia Enzo Ferrari, o criador da Ferrari.

O britânico Lewis Hamilton

Vender mais A.U.T.O.M.Ó.V.E.I.S. O capitalismo selvagem não se importa com o piloto. Com a vida.

Foi com essa ideia introjetada na cabeça que lá pelos anos de 1985 passei a cobrir também (além de Cultura, Educação e Saúde) o automobilismo no Estado de Minas: economia, e política da indústria e o setor do capital em BH e Minas.

Como entrei de cabeça crítica, para aliviar tensões, comecei a acompanhar as competições, as internacionais, as nacionais e as de Minas: carros e motos.

Comecei a entender como funcionavam os esquemas das competições. E como estava em Belo Horizonte passei a escrever sobre as competições daqui. Motocross e Rally, quase que exclusivamente. Era só o que existia por aqui.

Na verdade comecei a me intrometer nos esquemas e criei novas fontes que passaram a informar sobre falcatruas e passei a denunciá-las. Os caras de frente, das associações, passaram a me ligar tentando desfazer de minhas fontes que não sabiam quem eram – podiam até especular, não mais – e a me convidar para jantares, provas e distribuir placas de prata em caixas azuis aveludas.

Eu era sempre “homenageado”. O que fiz com as placas é outra história: uma espécie de icononoclastia. Fica para outra vez.

Como a história é longa, volto pro meu objetivo. Comecei a acompanhar as competições.

F1 era quase uma grande bobagem. Mas passei a ler, prestar atenção e receber informações das agências de notícias.

Então passei a ver que um tal de Ayrton Senna da Silva ganhava quase todos os GPs da F3. Tanto que jamais perdeu uma prova em Silverstone, na Inglaterra, na F3. Por isso a mídia inglesa chamava o autódromo de ‘Silvastone’.

Ayrton Senna (1960/94) foi três vezes campeão mundial, nos anos de 1988, 1990 e 1991  (Foto: Suton/Getty Images)

Toda semana publicava algo sobre ele no caderno de veículos do estado de minas. Claro, acabou na F1 e não parou de demonstrar que era um fenômeno.

Na época, os brasileiros torciam quase fanaticamente por Nelson Piquet. Para mexer com os leitores, me fixei no novato Senna.

Toda semana eram várias cartas e um tanto de telefonemas. Todas me desancando. Dizendo que era idiota, que não entendia nada de F1. – Erraram.

Infelizmente ainda não tinha internet e felizmente não tinha ainda este ódio maluco que se dissemina nas redes sociais.
Mas teria sido divertido também.

No passado domingo último GP da Alemanha foi com chuva durante sua primeira terça parte. Pista que Senna era quase imbatível. Hamilton é bom também. Não ontem. Como Lecrerc, Verstappen e Bottas. E ainda tem Vettel, que é tetra, e o novato Gasly. Teve emoções e colocação final atípica.Mas chega que essa Vila de Utopia não é jornal diário.

Mas digo:

Ah, e torço para Hamilton. Porque ele é bem humorado e é negro. Além de grande piloto como Senna. Com a habilidade mágica de um Senna.

 

 

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